Sobre o uso do termo ‘postpunk’ nos meus blogs ou “ANOS 80 O CARALHO!!”

Postado em 1 em 27/04/2009 por deliriosduvidosos

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Iggy Pop - Inspiração para  Johnny Rotten

Iggy Pop - Inspiração para Johnny Rotten

Definir um estilo como o post-punk, por exemplo, é uma tarefa que levariam vários autores a determinarem seus textos. A construir um muro aqui. A levantar torres ali, cavar fossos, drenar rios e principalmente construir seu castelo de lorde medieval dono único do assunto e autoridade incontestável.

Isso é o que eu mais detestaria fazer. Basta-me discorrer sobre aquilo que efetivamente vivi no Brasil dos anos 80 acrescido do desenvolvimento posterior nos 90s e 00s e, daquilo que, com o advento da internet, me possibilitou sanar duvidas e preencher lacunas.

Em 1980 eu tinha 14 anos de idade e em 1989 eu tinha 23, durante esses 10 anos estive intimamente ligado a tudo que foi lançado de rock no mundo. Também fui vocalista em várias bandas de 1983 a 1989. Posso não ter ouvido certas bandas , mas com toda certeza ouvi falar delas. O aspecto música nunca foi para mim o mais importante. Sempre houve a moda, a literatura, cinema, história em quadrinhos, as artes plásticas e diversos outros fatores que me impediram de enxergar o post-punk só como um filhote dos Sex Pistols como querem alguns, mas compreendendo esse post-punk como uma radical mudança de atitude que dividiu mesmo os fãs de rock que, até então eram virtualmente uma grande e única tribo universal. Até o advento dos Sex Pistols bastava ser roqueiro. Depois deles era necessário o emprego de termos específicos para determinar o que você realmente ‘era’.

Jovens que eram headbangers por absoluta ausência de opção tornaram-se new wavers da noite para o dia. Cabelos foram cortados

Os Sex Pistols - ou alguém tem de fazer o trabalho sujo

Os Sex Pistols - ou alguém tem de fazer o trabalho sujo

bem curtos, batas indianas e alpargatas de couro foram jogadas no lixo. O guarda roupa tornou-se mais urbano com acessórios militares, enfim a geração dos 80 tomou em suas próprias mãos a tarefa de obliterar a ‘velha ordem’ e encarnar a ‘nova onda’. Sem o saber, milhões de jovens no planeta passaram a seguir as tendências ditadas pela estilista Vivienne Westwood, o punk era punk de butique já no berço, desde o nascedouro.

Clube da Esquina - visual dos roqueiros progressivos

Clube da Esquina - visual dos roqueiros progressivos

Entre1984 e 1985 posso dizer que haviam duas facções distintas que dividiam os assim chamados ‘roqueiros’. Os roqueiros à moda antiga, aficionados de bandas progressivas e de bandas não progressivas, mas musicalmente virtuosas e as representantes do Heavy Metal que sugeriam ser o futuro do rock tradicional de um lado. Para esse primeiro grupo os 80 são lembrados pela musica de Yngwie Malmsteen, as bandas tipo Van Halen, UFO, Scorpions, Accept e por aí vão.

E do outro lado os que curtiam as bandas new wave, recém chegadas ao cenário pop e ostentando uma atitude que lembrava as garage bands do 77 punk, mas com características que variavam entre a world music e o funk, algo futurista e frio, drum machines e reaggae, gélidos teclados e uma promessa Techno. Em todo caso bandas desprezadas pelo primeiro grupo que continuavam seu culto aos grandes instrumentistas e à musica com características sinfônicas.

The Jesus and Mary Chain - tem certeza de que não são punks?

The Jesus and Mary Chain - tem certeza de que não são punks?

Para o segundo grupo a vida se transformara em uma animada festa. Todos os dias o telefone tocava e um amigo falava da chegada às lojas de mais uma desconhecida, novíssima e surpreendente banda. Eram Tom Tom Club, The Smiths, Stray Cats, Nina Hagen, Dexy’s Midnight Runners, New Order e a lista aumentava a cada dia com novidades chegadas dos USA e da Inglaterra, mas também desse nosso Brazil sem porteiras: Paralamas do Sucesso, IRA!, As Mercenárias, Ratos de Porão, Magazine, Kid Abelha, Plebe Rude, Camisa de Venus para citar só alguns. Esse segundo grupo por sua vez se subdividiria em dezenas de outros à medida em que a década de 80 chegava ao fim e as outras décadas se sucediam.

O próprio termo post-punk pode nos deter numa tentativa de esclarecer seu significado. Enquanto alguns vão se apegar à nomenclatura ‘positive punk’,outros vão brigar pelo significado de ‘depois’ ou ‘após’ e sabe-se lá quais fundamentalistas de orkut irão cometer atentados terroristas se não reconhecermos suas próprias e chatissimas definições do termo.

The Human League - visual New Wave

The Human League - visual New Wave

Eu diria ‘fuck it’. Nada disso me interessa já que esse blog surge para ser um veiculo do post-punk enquanto uma orientação de resistência cultural, um eco de uma atitude que me parecia ser a única aceitável para mim e que eu queria ver nas pessoas com quem eu me relacionava (amigos ou amantes) nos 80s, nos 90s e também agora.

Num primeiro momento me atenho a postar sobre a década de 80. Um memorial dirão vocês. Tenho mesmo essa necessidade de me

lembrar, de trazer de volta confusos sentimentos e deliciosas recordações, mas reconheço que esse esforço não irá parar por aí. Já agora nesse inicio um tanto disforme tenho me deparado com ramificações que desembocam na ambient music e ethereal dos 90 e 00s e que tem raízes em bandas do inicio dos anos 60, sem falar do psychobilly que retrocede aos 50s e até aos 40s. Que anos 80 que nada.

Vamos juntos viajar pela política ultra-direitista dos anos 70 e pelo socialismo real, pelo muro de Berlim, vamos estudar literatura e relaxar com HQs nada inofensivas, vamos discutir cinema e poesia. Vamos conhecer as escolas de arte e artistas plásticos que desde o fim do século XIX já eram post-punks, entenderemos a importância do teatro, da moda e é claro, ouvir muitas bandas também.

Niilismo, dadaísmo, expressionismo, sado-masoquismo, futurismo, Suprematismo, anarquismo e todos os outros ismos que possibilitaram aos punks 77 protagonizarem o rompimento que foi mais assimilado musicalmente, mas que de maneira alguma se restringe apenas à bandas toscas que tocam com cabelos moicanos e roupas pretas.

Malcom MacLaren - O Mago Merlin do punk

Malcom MacLaren - O Mago Merlin do punk

Como num patchwork – numa colcha de retalhos – aquilo que é o ‘post-punk’ se nos apresentará muito mais como um painel multifacetado, multicolorido e inacabado, do que num retrato desfocado, em preto e branco e determinado.

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Gente boa, peças raras e os ’sem noção’

Postado em Música com as tags , , em 11/02/2009 por deliriosduvidosos
Ressonância Mórfica no DCE/UFG

Ressonância Mórfica no DCE/UFG

Já faz um tempinho, desde Maio de 2004, que eu e minha mulher trabalhamos na cena underground de Goiânia. Estamos quase sempre vendendo alguma coisa nos shows, roupas, acessórios, discos, livros e até já tivemos uma casa noturna durante 3 anos onde realizávamos shows ao vivo, exposição de arte, discotecagens, teatro, mostra de vídeo, feiras, etc. Sempre em ambientes regados a muita cerveja e sabe-se lá mais o que, não há que se surpreender com o tráfego de pessoas que poderíamos considerar como ‘muito estranhas’.

Girafa, Tânia e Barbosa. Nação Zumbi no Jockey Clube

Girafa, Tânia e Barbosa. Nação Zumbi no Jockey Clube

Há aquelas pessoas que são muito tímidas quando se aproximam para olhar as camisetas expostas, há aquelas bêbadas que derrubam as coisas, há os namorados que tem ciúmes de que nos mostremos muito solícitos com suas damas, há os gringos que nos dão a oportunidade de gastar um pouco de nosso inglês, há os músicos famosos.

Tânia e Paul Mazurkievicz, batera do Cannibal Corpse

Tânia e Paul Mazurkievicz, batera do Cannibal Corpse

Tivemos a oportunidade de conversar com Paul Mazurkievicz, baterista do Cannibal Corpse, e não podemos revelar o tipo de negócios que tivemos com o baterista dos Lemonheads, Dave Ryan, se não me engano no Bananada 2004, mas recebemos toda a banda Daniel Beleza e os Corações em Fúria em nossa própria casa para uma noitada, passamos duas noites com a banda Nervo Chaos de SP além de diversos outros músicos nacionais e internacionais com quem chapamos todas ou simplesmente trocamos algumas palavras.

Tânia com os baianos de Nancyta e os Grazzers no Festival Anti-Música

Tânia com os baianos de Nancyta e os Grazzers no Festival Anti-Música

Mas há também os ladrões e ladras de brincos, piercings, calcinhas e tudo o mais que puderem ‘angariar’ numa noite de rock, e por incrível que seja nós sabemos quem são eles e elas, sabemos os nomes, a noite e qual evento em que agiram subtraindo alguns de nossos itens, mas não vou usar esse texto para dedurá-los pois se tratam de pessoas bem conhecidas no ‘underground’ e desenterrar esses cadáveres agora seria começar uma briga que não nos interessa em absoluto, mas estamos de olho neles e sabemos que são, na verdade, uma praga no meio, mas fazer o que né? Tampouco vou citar nomes de imprestáveis que utilizam de violência.

Jadson e a banda The Name Festival Noise 2007

Jadson e a banda The Name Festival Noise 2007

Um fato engraçado ocorreu quando uma garota chegou em nosso bar e pediu um patrocínio de R$ 1000,00 ou 500 latas de cerveja para que um conhecido indivíduo da ‘cena’ lançasse sua revista. Posso rir agora? HAHAHAHAHAHAH!!!!!

Também houveram empreitadas em que os organizadores se arrogavam ares de importância, mas que agora não existem mais e nem deixaram traços de sua inútil existência e pelo visto nem mesmo saudades. E também pessoas que pegaram nosso dinheiro e não prestaram o respectivo serviço. Sem mágoas.

Tânia e os Sick Sick Sinners - Festival Noise 2007

Tânia e os Sick Sick Sinners - Festival Noise 2007

Em todo lugar deve ser assim mesmo, mas uma coisa ficou de exemplo para eu e para Tânia, minha esposa. Sempre valeu a pena, sempre foi muito bom estarmos misturados na cena e se alguém deseja fazer algo pelo underground em Goiânia, pode se jogar porque tem espaço. A cena é legal e os organizadores são camaradas, os colegas de bazar são maravilhosos e não há nada melhor que passar 2 ou 3 noites trabalhando num evento de rock, bebida, comida, gente bonita, muito rock, muita loucura e também um pouco de gente sem noção.

Bem, vou ficando por aqui porque me lembrei de uma dívida que tenho de pagar pra uma pessoa do underground.

Até o próximo evento

Nosso antigo bar Horda, 2005/2006/2007

Nosso antigo bar Horda, 2005/2006/2007

Rock Progressivo? Argh!!

Postado em Música com as tags , , , em 10/02/2009 por deliriosduvidosos

O progressivo é viajandão

O progressivo é viajandão

Calma gente. Não vou contar aqui a história do rock progressivo. O rock progressivo pode ser tudo, mas não importa. Para esse escriba é uma música chata e a sessão de discos que nunca visito em nenhuma loja do planeta desde 1980. Explico: No início dos anos 80 em Goiânia conheci uma turminha do lado sul da cidade que considerava o rock progressivo como sendo o único rock digno de ser ouvido.

Haviam duas bandas que se propunham a tocar esse progressivo, mas nenhuma das duas conseguia sequer unir dois acordes, a saber , uma se chamava Eclipse e a outra Marca Registrada.

Embora alguns queiram fingir que essas bandas existiam na efetividade a verdade é que somente o Eclipse fazia shows regulares tocando covers de clássicos internacionais e algum rock nacional dos 70 e 80. O Marca Registrada que tocava covers e músicas próprias jamais foi uma banda de ‘progressivo’ e nunca desfrutou da popularidade do Eclipse embora fosse de conhecimento geral que aqueles fossem melhores músicos que estes.

Na tentativa de ser amigo desses garotos da zona sul goianiense passei a freqüentá-los e até a ouvir o tal ‘progressivo’ que me parecia ser rock tanto quanto uma ameba se assemelha a um elefante, mas era preciso fazer concessões já que meus amigos do centro eram uns idiotas completos e não gostavam de nenhum tipo de rock.

Eu que desde os 9 anos ouvia rockabilly e R&B e à partir dos 15 anos de idade ouvia o Heavy Metal de Judas Priest, Motörhead, Iron Maiden, etc, não era considerado por aqueles garotos como sendo um ‘troo’ então passei ouvir coisas como Yes, Pink Floyd, Eloy, Emerson Lake & Palmer (argh), Jethro Tull e mais um monte de coisa extremamente sacal que de rock não tinha nada para ser aceito no grupo. Músicas de 18 minutos, vocais agudíssimos, solos de guitarra intermináveis e o mais chato dos chatos, solos de bateria! Eca.

Discipline, o album pesado e contundente do King Krimson

Discipline, o album pesado e contundente do King Krimson

De todo esse horrendo acervo chamou-me a atenção principalmente o King Krimson. Esse grupo tinha um trabalho que considero como sendo hermético. Bases fortes e contundentes que conseguem fazer com o que o adjetivo progressivo faça jus ao substantivo rock. O álbum Discipline de 1981 me soava como um aviso de perigo para toda a humanidade.

Fragile do Yes, profundo com Bill Brufford e Chris Squire

Fragile do Yes, profundo com Bill Brufford e Chris Squire

No próprio Yes banda mais chata do ‘progressivo’, no disco Fragile (1971) , o baterista Bill Brufford (também King Crimson) com a adesão do baixista Chris Squire, parece querer destruir tudo e ambos formaram a mais profundamente explosiva das cozinhas do rock de todos os tempos.

O ábum Hemispheres do Rush. Música para corações fortes

O ábum Hemispheres do Rush. Música para corações fortes

E o Rush então? Até 1983 eu nunca tinha ouvido e quando Rogério Cabelo me fez escutar os álbuns 2112 (1976) e Hemispheres (1978 ) eu achei que tinha ouvido a voz de Deus me chamar para a mais importante missão que já fora confiada a um ser humano.

O rock em Rush era a mais virtuosa e mais pesada de todas as músicas do planeta. Pode fazer um adolescente se transformar em um zumbi ou outra aberração qualquer. Deliciosamente perigoso.

A Trick Of The Tail, excelente álbum do Genesis

A Trick Of The Tail, excelente álbum do Genesis

Também valorizei o álbum A Trick Of The Tail (1976) do Genesis que me soava como uma música calma e inofensiva e apesar de ter me apaixonado pelo álbum Thick as a Brick (1972) do Jethro Tull com linhas de baixo pesadas semelhantes ao baixo de  Steve Harris do Iron Maiden nunca me interessei por mais nada dessa banda.

Thick as a Brick do Jethro Tull, pesado como Iron Maiden

Thick as a Brick do Jethro Tull, pesado como Iron Maiden

Então chegou o momento que hoje é conhecido como post-punk ou o enterro dos dinossauros. Apesar de que  atualmente a  New Wave é valorizada ela não o foi na época pela maioria dos roqueiros do cerrado. Eu era o único que ouvia The Clash e Berlim e acredito que até hoje ainda sou o único, hahahahah!

Com o acesso a The Cure, The Smiths, Bauhaus, The Cure, Tom Tom Club, Culture Club, Cabaret Voltaire, Depeche Mode, Pet Shop Boys, além da prolífica New Wave brasileira, não havia mais a mínima possibilidade de ficar sentado no chão curtindo bandas cujas músicas ocupavam todo o lado de um vinil.

E mais um viva aos Sex pistols!!!

Sandinista do the Clash. O ábum que tornou impossivel para mim ouvir qualquer rock progressivo novamente

Sandinista (1980) do the Clash. O ábum que tornou impossível para mim ouvir qualquer rock progressivo novamente

Rock ‘n’ Roll music: meu primeiro disco.

Postado em Música com as tags , , , , , em 10/02/2009 por deliriosduvidosos
Meu primeiro LP. O excelente Rock 'n' RollMusic dos Beatles

Meu primeiro LP. O excelente Rock 'n' RollMusic dos Beatles

O ano? 1975.  Mês de Dezembro era sempre assim. Eu e minha irmã entregávamos os boletins escolares para meu pai e então ele sancionava nossos presentes de natal. Como bom funcionário público de posse de seu salário meu pai comprava o disco do Roberto Carlos e talvez algo de Elis Regina, Gilberto Gil, Tim Maia e alguns músicos caipiras como chamávamos à época, mas nesse fim de ano de 1975 meu pai me levou (eu com 9 anos de idade) até uma loja de discos que pertencia à um conhecido dele.

Me lembro como se fosse hoje, na rua 3 entre a rua 8 e a Avenida Goiás meu pai disse para eu escolher um disco e eu escolhi o Rock ‘n’ Roll Music dos Beatles, um album duplo com o melhor do R&B ou, se preferir, a quintessência do roc ‘n’ roll tocado pelos garotos de Liverpool e também incluíam algumas composições próprias de Lennon e MacCartney.  Escolhi por alguma razão obscura que me parece hoje ser a arte da capa do disco com os 4 muito jovens empunhando seus instrumentos.

Toca-discos de plástico da Phillips

Toca-discos de plástico da Phillips

Para o desespero da familia toda, naquela noite, eu iria colocar no toca-discos portátil de plástico o primeiro disco em inglês que tocava em nossa casa e todos rimos muito quando os acordes de Twist and Shout soaram algo estridentes, algo desafinados numa sala onde só ressoavam as profundas canções de MPB de meu pai e os poucos discos de música sacra de minha mãe.

Máximo R&B e canções próprias

Máximo R&B e canções próprias

À partir desse dia de Dezembro de 1975, pouco antes dos Sex Pistols cuspirem no mundo, eu entrava pelos descaminhos do rock assim como a maioria  dos roqueiros: Através dos Beatles. No Brasil da ditadura havia um programa na TV chamado  Rock Espetacular onde me lembro de ver Hendrix e os Rolling Stones e não me lembro de mais nada.

Trilha sonora nacional da novela Estúpido Cupido

Trilha sonora nacional da novela Estúpido Cupido

Eu perguntava à minha mãe sobre os anos 50 e 60 e de como era a moda e a música e minha mãe me falava de Elvis e de Celi Campelo. Houve a novela Estúpido Cupido com seus dois discos de trilha sonora, o nacional e o internacional, meu pai comprou os dois e também me deu o Bill Halley and His Comets que eu e minha irmã ouvíamos dançando na sala de casa.

Minha mãe me falava de Elvis Presley em 1976

Minha mãe me falava de Elvis Presley em 1976

A revista Rock Espetacular chegava as bancas com um compacto vinil em anexo, não alcancei a número 1, mas a número 2 trouxe um compacto dos Stones e a 3 um do Led Zeppelin.

Compacto vinil encarte da revista Rock Espetacular nr 1

Compacto vinil encarte da revista Rock Espetacular nr 1

Minha mãe me dizia que o rock era coisa do passado e uma moda que nunca mais voltaria, eu me sentia então um garoto rockabilly no mundo dos Embalos de Sábado à Noite, eu não gostava dos anos 1977, 1978 e 1979 e sonhava com a lambreta que meu pai ostentava numa foto do álbum de família.

Mas os anos 80 chegaram com a adolescência e, contemporâneo ao chamado post-punk percebi que eu ressucitara juntamente com o rock para enfrentar a guerra nuclear inevitável no confronto final da Guerra Fria.

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The Cure: Trilogy

Postado em Música em 09/02/2009 por deliriosduvidosos

No dia 6 de Fevereiro de 2009 eu e minha mulher Tânia fomos passar a noite na casa do casal Serginho Valério e Andréia Miklos. Serginho é um amigo especial porque o conheço a pelo menos 21 anos e ele ainda conserva os LPs e fitas K-7 que ele tinha em 1988. Eles também tem centenas de CDs e DVDs originais o que prova que são corretos e não abusam da pirataria.

The Cure não é anos 80. É uma banda contemporânea.

The Cure não é anos 80. É uma banda contemporânea.

Muita conversa e muita música dão o tom de nossos encontros e é impossível listar todas as músicas que ouvimos, mas um pouco antes de assistirmos ao video Touring The Angel do Depeche Mode, assistimos ao formidável Trilogy do The Cure.

Perry Bamonte

Perry Bamonte

O The Cure surgiu para nós (goianienses) em meados dos anos 80 e nos parecia muito escuro, muito pueril e muito diferente do que se chamava rock até então (e até hoje diferente de tudo o mais). As melodias lindíssimas com arranjos eletronicos mínimos e de peso apenas sugerido mostrava-nos que era possivel fazer ‘o maior som’ sem que fosse necessário passar anos estudando violão clássico ou o que quer que o valha.

A mesma guitarra,os mesmos gestos, o mesmo Robert Smith

A mesma guitarra,os mesmos gestos, o mesmo Robert Smith

As décadas se passaram e o The Cure continuava aparecendo aqui e ali até que dia 6 de Fevereiro de 2009 fui dormir com minha mulher Tânia na casa do casal Serginho Valério e Andréia Miklos e assistimos ao formidável Trilogy do The Cure.

Na madrugada do dia 7 de Fevereiro de 2009 fui transportado para uma outra data: Os dias 11 e 12 de Novembro de 2002 num lugar chamado Tempodrom em Berlim onde o The Cure tocava como se fosse nos 80. Robert Smith estava lá de preto, de batom, com o cabelo como uma peruca caindo sobre os olhos e ele tocava sua guitarra e cantava e fazia gestos com a mão. E a música como se viesse de um outro mundo acariciava meus ouvidos e me senti como se fosse criança de novo. A iluminação, a edição do video, o corte, tudo é à propósito, tudo colabora para me fazer ficar ali literalmente bebendo aquela música, enchendo os pulmões com aquela atmosfera, com medo de que a música chegue ao fim, mas a música acaba e vem outra e outra e mais outra.

I wish I were there

I wish I were there

Esse show Trilogy reuniu as músicas de 3 albuns do The Cure, os ábuns Pornography, Disintegration e Bloodflowers. São 29 músicas do ’set list’ normal mais 2 músicas do álbum Kiss Me Kiss Me Kiss Me.

Não vou colocar links para download nem publicar o ’set list’, não é necessário. O show e o DVD foram realizados para os fãs do The Cure e não para os que não conhecem a banda assim como esse texto foi escrito por um fã e para os fãs.

DVD e CD

DVD e CD

Em Trilogy, o The Cure é:

  • Robert Smith – Voz, Guitarra
  • Simon Gallup – Baixo
  • Roger O’Donnel – Teclados
  • Perry Bamonte – Guitarra
  • Jason Cooper – Bateria